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Meu primeiro processinho: calúnia e difamação de um agressor de mulher

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Mafalda_muda_surda_cega

Eu deveria ficar quietinha… MAS OPTEI POR FALAR!

Aiai… E amanhã é a minha audiência com o cara que agarrou a mina na frente da minha casa em Porto Alegre, e que, apesar do flagrante policial e das testemunhas presentes, foi “misteriosamente” absolvido com base em uma filmagem mostrada pela metade, pelo que me parece…

Ele foi absolvido. Agora está me processando por calúnia e difamação. O.o Pelo que me disse, em mensagem ofensiva e em tom ameaçador aqui pelo inbox do facebook, quer retratação pública e que eu preste serviços comunitários.

Ah, e disse que devo ficar agradecida que não está me pedindo indenização.

Pela “lógica” da justiça brasileira, provavelmente serei condenada.

Ou seja: constato que passar a mão em mulher no meio da rua tá beleza, não é crime. Ao menos foi o que decidiu a justiça. E assim absolveu o moço.

Já eu… Ahhh, eu sou uma possível criminosa que delatei a “ação normal de um homem alcoolizado, na calada da noite”, afinal ele queria que tivesse passado batido, que ninguém, além da vítima e suas amigas que pouco puderam fazer para defendê-la, tivesse tomado conhecimento do caso. Era “coisa íntima” dele, saca?! Só que não!!!!!

Isso só demonstra pra todas nós, amigas leitoras, que a sociedade considera nossos corpos como objetos à disposição dos homens. Não dá NADA um sujeito bêbado passar por ti na noite e agarrar teus peitos, rasgar a alça da tua blusa e cair no chão junto contigo por causa disso, porque “quem mandou estar ali, em vez de em casa como “moça direita”?!  Pode ser o pai, o marido, ou até um desconhecido no meio da rua: ele pode fazer o que quiser, e o melhor que temos a fazer é calar nossas boquinhas e fingirmos que não vimos nada, sob pena de ainda ter o criminoso virando o crime contra ti!

É SÉRIO QUE É ESSA A MENSAGEM QUE VÃO CONTINUAR NOS DANDO???!!

ME NEGO A ACEITAR!!! O que fiz não foi crime! Foi um serviço de utilidade pública! Acredito que mulheres devam tomar conhecimento das atitudes e do rosto de homens que pensam que o corpo de uma mulher é algo público, que não merece respeito, que pode ser violado! E isso não precisa de penetração em vagina pra se configurar crime! Se eu estiver em qualquer lugar e qualquer pessoa fizer qualquer coisa não consentida com o meu corpo, isso É CRIME SIM!!! ISSO, SIM, É CRIME! Esse sujeito que atacou minha vizinha trabalha em festas onde mulheres estão circulando, aí em Porto Alegre! TEMOS O DIREITO DE CONHECER O ROSTO DE HOMENS QUE COLOCAM NOSSA INTEGRIDADE MORAL E FÍSICA EM RISCO, ao andarmos pelas ruas! Chega de termos medo!

E estar dizendo isso agora me “enrasca” ainda mais?! Caso sim, só posso achar que a justiça é muito podre e defende mesmo quem é torto e condena quem luta por equidade e conscientização social!!! Vivemos sendo silenciadas, mas eu NÃO TÔ A FIM!!!

É isso aí, “justiça brasileira”!!! Libertem um agressor de mulher e condenem uma mulher que trabalha e é mãe independente de família, cujo único “crime” foi desmascarar mais um dos tantos machistas que circulam por aí, e fazem mulheres andarem nas ruas com mais medo de serem atacadas sexualmente do que de serem assaltadas.

MACHISTAS NÃO PASSARÃO!!!

Mulheres, DEFENDAM umas às outras! Não tenham medo! Não se calem! É isso que o Patriarcado quer. Que continuemos sob suas botas.

Esse tempo ACABOU.

Desejem-me sorte. Amanhã é a minha audiência. Será as 15h no Fórum de Montenegro.

E esse é o meu "crime"...

E esse é o meu “crime”…



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Publicado por em 11 de novembro de 2014. Arquivoado em Comportamento,Destaque,Notícias. You can follow any responses to this entry through the RSS 2.0. You can leave a response or trackback to this entry

6 Respostas para Meu primeiro processinho: calúnia e difamação de um agressor de mulher

  1. marcio

    8 de fevereiro de 2015 at 1:58

    Feminista filiada no partido do bolsonaro? Como eu disse, ainda nao acabou. Vc vai continuar pagando pq e uma covarde mentirosa. Usa bandeira do feminismo. Marcio Duarte, ativista do movimento negro, pai do Ydandie, trabalhador, injustamente acusado neste blog

  2. Claudia

    6 de março de 2015 at 13:40

    Estou chocada com a “lógica” das leis. É uma “lógica” que escutei um amigo falando, as pessoas quando atropelam alguém na rua, preferem não socorrer a vítima, para não serem presas em flagrante. Porque depois elas podem se entregar, mesmo que a vítima esteja morta e serem liberadas.

    Ainda não consigo nem entender como denunciar um ato covarde de um homem, faz do acusador o criminoso. Não sei pra onde a sociedade caminha. Mas espero que você não seja condenada por fazer algo certo. E o pior, algo que é o começo da mudança de atitude de tantos que calam diante do errado.

  3. Fabio

    3 de agosto de 2015 at 17:29

    Baaaah…. o cara te chamou de “covarde e mentirosa”… não cabe aí um processinho por injúria e difamação (afinal, estamos em um meio aberto e público)?

    Um episódio é a acusação de tentativa de abuso sexual. Este já está na Justiça.

    Mas eventuais ataques contra a blogueira, dependendo do tom, são outros episódios.

    Eu pessoalmente JAMAIS uso a Justiça para nada. É como chamar a mamãe em uma briga. Mas se um lado já jogou a coisa para o Fórum, que seja: guerra de processos.

    E é uma pena, porque o blog tem uma bandeira tão legal. Agora, fica aí: semanas sem post nenhum enquanto a blogueira se enrola nas malhas do judiciário.

  4. marcio

    3 de agosto de 2015 at 18:03

    Fabio, covarde sim ela foi, por quê a foto minha que foi usada neste blog foi tirada sob tortura, com alguém segurando minha cabeça, debaixo de pauladas e xingamentos por ser negro. Mentirosa, por quê seu relato não condiz com as imagens de uma camera de segurança que filmou o episódio. Fui absolvido e a Paula pagou serviço comunitário. Mas ainda tá barato. “Reja ou será morto. Reaja ou será morta!” Racistas não passarão!!

  5. Paula Berlowitz

    5 de agosto de 2015 at 0:59

    Não houve xingamentos racistas no episódio. E eu ainda gostaria muito de ver este vídeo, pois o que me foi dito é que ele só mostra até quando o Márcio passou, mas não mostra seu retorno. Como não fui informada sobre as audiências, nem ao menos chamada como testemunha, não posso afirmar.

    Aí, talvez, entre o jogo do Direito cuja discussão é até onde se utiliza de elementos mais ou menos éticos, mas isso fica na consciência de cada um.

    O que sempre digo e volto a dizer é que convencer os outros de uma inverdade não a torna verdade.

    Mas não escrevo sobre algo que não sei ou não vi e não invento fatos.

  6. marcio

    5 de agosto de 2015 at 8:19

    A blogueira nega os xingamentos racistas, mas eles ecoaram na minha cabeça por muito tempo. Aconteceu desde o primeiro diálogo, onde passei por três mulheres na Protásio Alves e elas me abordaram chamando de “neguinho”. Passei reto mas resolvi dar meia volta pra tirar uma satisfação. Instinto que não me deixa engolir humilhação. Minha arma: uma lata de cerveja na mão. Voltava pra casa depois de um turno de 12h trabalhadas. Isso a Paula não viu, fecha os olhos, não é interessante saber a verdade. Nunca foi. “Negro sujo” “Aqui não é o teu lugar” “Negro isso Negro aquilo” “Negro tarado” ate de “negro playboy” chamaram. Ela também verbalizou essas coisas, confessa os xingamentos mas fica politicamente incorreto e impopular reconhecer o verdadeiro teor das suas palavras naquele dia. Tentei me identificar, disse que era trabalhador, que no outro dia tinha almoço marcado com meu filho. Por pouco, muito pouco, talvez pela vontade de Deus (e não dela), virei mais uma estatística, mais um negro linchado e amarrado num poste. Acusado de atacar 3 mulheres com uma mão vazia e uma lata de cerveja na outra. Julgado e condenado naquela rua, sem direito ao contraditorio ou qualquer tipo de defesa. Vejam leitores que, no limite, a racista nega seu racismo, mas não nega a sua atitude discriminatória, a violência cometida covardemente, o maniqueísmo na foto milimetricamente editada para que a mão que segura minha cabeça não apareça. Pois é Paula, foi por você que aquela situação não se resolveu ali mesmo, com um pedido mútuo de desculpas como tentou se estabelecer. Foi pelos 15 minutos de fama que tu induziu aquelas mulheres a prestarem falso testemunho, depois deixou-as na mão na audiência, se refugiou num fim de mundo qualquer. Eu já te disse mil vezes que o processo é público e o vídeo foi aceito, elas se reconheceran nele, a PROMOTORA, mulher, pediu absolvição ao juiz. Fato raro no Direito quando se trata desse tipo de acusação. Agora eu estou aqui, atuante como sempre fui, pelo certo, pelo justo, pela negritude que sofre diuturnamente com esse tipo de ataque e nem sempre tem a chance que eu tenho de dizer. Tenho um ombro deslocado que nunca mais vai voltar pro lugar. Mas você tem a mim, fungando no seu cangote para que pague pelos seus atos e para que, se voltar a repetir, que a pena seja mais severa.

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