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The Mask You Live In – pelo fim da educação machista

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Ao longo de muitos debates nos últimos anos da minha vida – entre mim e outras mulheres de Coletivos Feministas dos quais participo ou acompanho as atividades, bem como com Humanistas, dentro da LiHS (Liga Humanista Secular do Brasil), da qual faço parte da diretoria, e grupos diversos, sempre se fala muito nos Feminismos e na luta das mulheres por equidade de Direitos. Sempre falo sobre a importância de educarmos nossas filhas dentro das noções feministas e sem sexismo.

Há, neste meio, consenso quando se fala na opressão despendida na educação das meninas ao longo dos séculos, nas mais variadas culturas e localidades e no quanto estes moldes são obsoletos e devem ser descartados.

Mas sempre que eu tento dizer o que penso sobre o avilte com frequência sofrido pelos meninos em sua educação machista, parece haver um tabu sobre o tema, no meio Feminista: “Ah, ta, agora o opressor é a vítima! Tu vais defender o opressor?!” é como muitas Feministas se posicionam frente ao tema, como se o menino já nascesse como o futuro “homem que se beneficia dos privilégios do patriarcado”, ignorando o fato de que na primeira infância – até os 3, 4 anos – qualquer distinção de gênero que uma criança faça, lhe foi transmitida e muito comumente IMPOSTA por um adulto – mesmo que indiretamente, como por exemplo, através de um coleguinha da Escolinha, pois se este tiver um conceito sexista, é porque assimilou de um adulto, ou de alguma outra criança que em algum momento foi exposta ao sexismo de alguém. (ASSISTAM O VÍDEO NO FINAL DO POST)

Mas digo pra vocês, e afirmo como mãe de dois meninos  e irmã de um homem educado por nossa mãe Feminista e filha de um pai reeducado por ela:

A educação machista também é uma violência ao menino, sim!

Afinal, até que ele, enfim, possa se beneficiar dos tais “privilégios do Patriarcado”, ele já terá sido forçado, inúmeras vezes, a deixar de ser ele mesmo, a “engolir o choro”, a deixar prematuramente de ser e agir como criança.
O machismo, embora aja mais cruelmente sobre as meninas e mulheres, é óbvio – uma vez que essas não serão apenas oprimidas por este, mas também feridas e até mortas – também é um vilão na educação dos meninos. Fazer com que o cérebro dos meninos se molde na obrigação de ser forte, provedor, insensível é devassar a infância desses talvez futuros machistas quando eles ainda nem tem senso crítico para decidir se aquilo que lhes está sendo ensinado é ou não correto, afinal, a criança confia no adulto: ele é o modelo, e o que ele fizer e lhe ensinar, lhe parecerá o certo, até que cresça e perceba o contrário. E aí, lamentavelmente, a mudança será bem mais lenta e trabalhosa do que ter sido educado para a equidade e liberdade.

E é por isso que eu prego, SIM, que se eduque as meninas para que não sejam submissas nem subservientes, que se ensine-as a serem fortes, decididas, confiantes e orgulhosas de si mesmas, mas que também permita-se aos meninos que demonstrem sua sensibilidade, como é da natureza de quase todos os seres-humanos na infância, que jamais lhes seja dito que não chorem, que não lhes ensinem a não demonstrar sentimentos, que lhes ensine, sim, que respeita-se a todos; que ensinem-lhes, sim, a admirar sua mãe e irmãs, que lhes expliquem que ainda há, infelizmente, em nossa sociedade, pessoas que fazem diferenciação de gênero e que isso é uma ideia ultrapassada que não deve ser levada adiante para as novas gerações.

O homem não é um vilão. O vilão é o MACHISMO. E ninguém nasce machista. Vilões são, sim, os homens que assimilam e reproduzem o machismo consciente e convictamente: os que debocham da luta feminista, os que mandam feministas lavarem louça, os que agridem, espancam, dão cantadas no meio da rua, etc, etc, etc. Mas há os que buscam a mudança – aqueles que devem servir de exemplo para os outros.

Podemos pôr um fim na educação machista e livrar também nossos filhos desse mal. Para isso, basta permitir que eles sejam crianças do modo que desejam ser, brincado com quem e com o brinquedo que quiserem, deixando de lado frases como “Mas isso é coisa de mulher!” e “Parece uma mulherzinha!”- quase sempre com um sentido pra lá de pejorativo…

E foi então que certo tempo atrás tomei conhecimento do The Representation Project e nele encontrei este vídeo que achei muito válido compartilhar – dentre muitos outros, mas hoje escolhi esse, pois acredito que se queremos de fato acabar com a tal “Guerra dos sexos”, é preciso que exista cada dia mais Feministas e menos machistas em nosso mundo, até que cheguemos ao resultado satisfatório dessa complicada equação. O vídeo é o trailler do filme “The Mask You live In”, a ser lançado ainda em 2014.

Assistam aí, e compartilhem com todos os seus amigos homens, pois acredite: muitos deles nem tem consciência de que passaram por essa negativa doutrinação vinda de uma educação machista!

Sugira-lhes que mostrem aos seu filhos! Compartilhem também com as amigas e sugiram que mostrem aos seus maridos, pais, tios, namorados. Não custa nada tentar auxiliá-los a perceber que foram treinados a viverem por trás de uma máscara que, por mais que os privilegie de diversas formas, também os priva de privilégios reais como o amor verdadeiro, a sensibilidade, o direito de não precisar fingir ser forte sempre, a real individualidade, enfim, a liberdade de fato.

É… Ser criado pra ser um metido a fodão não deve ser fácil, também… O problema é que a maioria dos homens, ao invés de se voltar contra o avilte de sua criação rumo ao “tornar-se homem”, acaba fazendo uso das benesses que o machismo lhes proporciona. E esse é o desafio do filme: mostrar ao homem que não há vantagens reais nisso para ele, enquanto ser-humano, enquanto cidadão e enquanto ser-afetivo que todos somos.

Então, minha sugestão é que eduquemos nossas meninas para que sejam fortes o suficiente para que, sem deixar de ser elas mesmas, saibam enfrentar o machismo que ainda possam vir a encontrar – e que, invariavelmente, encontrarão – e nossos filhos para que não sejam os novos protagonistas desse machismo.

E assim, todos, homens e mulheres, sejam cis, sejam trans, sejam não classificáveis nessas nomenclaturas hoje tão variadas, poderão ser plenamente felizes dentro de sua diversidade.

Pelo fim da educação machista para os meninos, mostrem esse vídeo aos homens.



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Publicado por em 20 de junho de 2014. Arquivoado em Destaque,Família,Feminismo,Notícias. You can follow any responses to this entry through the RSS 2.0. You can leave a response or trackback to this entry

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