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Estatuto do Nascituro – mais que uma piada de mau gosto

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Parece Idade Média, mas não é. Poderia ser uma remota parte da África, cuja extrema pobreza permite a nefasta dominação de Padres incentivadores da disseminação da AIDS e multiplicação de crianças famintas, pela condenação do uso de preservativos e outros métodos contraceptivos e do aborto. Mas é Brasil, século XXI.

Inacreditavelmente, o já há muito obsoleto, desagregador e dispensável conservadorismo em nosso País, nos últimos anos, se transfigurou em uma carranca ainda mais perversa e tomou forma: a absurda e grotesca proliferação das Igrejas Neopentecostais – as quais costumo chamar de Shoppings da Fé – exploradoras da pobreza e ingenuidade dos nossos mais desesperados e desamparados cidadãos e cidadãs, deu origem a famigerada “Bancada Evangélica”.

Eu e outros “chateus” – como costumamos ser chamados, por “pregarmos” nosso ateísmo Internet e vida afora – avisamos, demos pulos de 2m de altura, tentamos fazer as pessoas entenderem a todo pano, que o que dizíamos não era “perseguição religiosa”, como os Pastores-políticos-estelionatários tem tentado nos acusar. O “buraco” era beeeeem mais embaixo: nos Direitos Humanos. Uma vez que fundamentalistas religiosos chegassem ao Governo, a liberdade de todos começaria a ser aviltada. Nós só enxergamos o óbvio primeiro.

Ora, em todo e qualquer momento da História, no qual a Igreja teve poder de Estado, pessoas tiveram sua liberdade pessoal e integridade moral e física ameaçadas e até arrancadas à força.

Por que agora seria diferente? Porque é Século XXI? Porque o mundo mudou, as pessoas mudaram, porque “evoluímos”?! Não. Mas deveria. Entretanto, uma vez que o mundo mudou, as pessoas mudaram, e nós “evoluímos”, como é possível que alguém ache normal, ou ao menos plausível, que boa parte de nossa população ainda baseie sua existência em um livro escrito há mais de 1600 anos, em uma época tão remota e em um cenário tão díspar do nosso atual? Isso não é fé: isso é insanidade.

O fato é: Não seria diferente. Simplesmente porque RELIGIÃO NÃO EVOLUI. Os líderes religiosos mais “espertos” – leia-se “desonestos” – até podem lançar mão deste argumento e reciclar os dogmas de “sua Igreja” – leia-se “seu Negócio, Business” – para renovar sua leva de fiéis, uma vez que ninguém é tão idiota de cair sempre no mesmo conto, então, surgem variações das interpretações bíblicas, surgem “concessões” do tal Deus sobre o que pode ou o que não pode ser feito, sobre o que é ou não é aceito por “Ele”, sobre o que “agrada a Deus” ou não. Mas as razões são sempre as mesmas: manipulação social e obtenção/retenção/acúmulo de riquezas. Não para o “rebanho”, obviamente. Mas para o seu “Pastor”.

Reparem que os próprios termos “rebanho” e “pastor” já demonstra a estratégia destes “homens de Deus”! Qual a relação entre pastor e ovelhas, no campo? As ovelhas ficam lá, soltas, indo para onde querem, livres. Mas o pastor quer se servir das ovelhas: quer sua lã, seu leite e, por fim, sua carne. Quer comandar para onde elas irão andar, para fazer delas o uso que melhor lhe aprouver: usá-las e depois, abatê-las. Ele as controla, as domina, lhes tira a autonomia. A liberdade que elas tem é vigiada e termina quando ele decide. E na Igreja é igual. E o Pastor nem se constrange de se auto-intitular “Pastor” e chamar seus fiéis de “ovelhas”. É o cúmulo da “vergonha alheia” pra mim!

E como se já não bastasse crucifixos em órgãos públicos, que já era um mal a ser corrigido, depois da solidificação da Bancada Evangélica em nosso Governo e da massiva invasão dos Programas Religiosos caça-níqueis na TV, os absurdos começaram a brotar a olhos vistos: Feliciano arrotando preconceitos de ódio, machismo, racismo e homofobia Twitter afora, e depois assumindo Presidência em CNDHM ; Malafaia vomitando absurdos sobre genética e se achando – e fazendo as “ovelhas” acreditarem – que ele tinha razão; a psicóloga que precisa urgentemente de um Psiquiatra (ou de um Professor de Ética) Marisa Lobo querendo “curar homossexuais”, como nem Freud queria em 1922; e agora, o Estatuto do Nascituro, mais popularmente conhecido como “Bolsa Estupro”!!!

O Estatuto do Nascituro pretende criminalizar toda e qualquer forma de aborto, no Brasil, mesmo aquelas cuja descriminalização já é garantida pela lei, como nos casos de fetos anencéfalos – onde não há expectativa de sobrevida extra-uterina; ou gravidez proveniente de violência sexual – casos nos quais, querem estimular as mulheres vítimas de estupro que resultaram em concepção, a não abortarem o fruto da violência, sob promessa do pagamento de uma bolsa-auxílio, no valor de 1 salário mínimo, pra aquelas que aceitarem prosseguir com a gravidez e cujo pai não for identificado – quando identificado, ele deverá arcar com estes pagamentos – restringindo, desta forma, a autonomia da mulheres sobre seu próprio corpo e concedendo direitos paternos aos estupradores.

A pena para o aborto será cadeia de verdade! Parece até um sonho diante da impunidade reinante neste pais para quem mata criancinhas[…] Queira Deus que esta Casa de Leis se empenhe o quanto antes em aprovar este Estatuto, para alegria das crianças por nascer e para orgulho desta pátria.
Trecho presente no Estatuto do Nascituro em defesa do projeto

“É o fim dos tempos”, como dizia a minha avó!



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Publicado por em 12 de junho de 2013. Arquivoado em Destaque,Feminismo,Lucidez. You can follow any responses to this entry through the RSS 2.0. You can leave a response or trackback to this entry

2 Respostas para Estatuto do Nascituro – mais que uma piada de mau gosto

  1. Judson Abbott

    2 de julho de 2013 at 21:43

    Ando assustado com as coisas que ouço e vejo sobre a Igreja. Em algum tempo atrás, isso pode ser lá pela década de 70/80, a Igreja era um lugar de se encontrar a paz e salvação. O ambiente era totalmente preparado para se ter o encontro com Cristo. Música e mensagem eram diretos para o visitante. Depois do sermão o visitante perguntava ao que convidou: “Você contou minha vida pro pastor”? A gente achava graça porque sabíamos que Deus havia falado. Contentávamos com a conversão. Não se tinha a necessidade louca de crescer. A gente não visualizava a conversão de pessoas no intuito de crescer a igreja, mas de ter a cidade convertida ou o bairro todo crente. A bem da verdade havia pouca igreja naquela época. E quando alguém saía de uma não entrava facilmente em outra sem carta de recomendação. A fidelidade doutrinal era impressionante! Depois de estudar, e naquele tempo se estudava muito a Bíblia, não dava mais para fazer parte de outra doutrina. Só havia duas traduções de Bíblia e não se tinha essa quantidade diversa de Bíblias de estudo que produz preguiçosos. Naquele tempo tinha de “fuçar” os originais. A convicção pessoal sobre um assunto era prioridade. Hoje, não tem a menor importância a doutrina confessada. O importante mesmo é se sentir bem e no fundo, pregando Jesus está tudo certo. Uma pessoa que queria ser pastor largava tudo, profissão e emprego, para se dedicar no seminário por internato de quatro anos e mais um ano de experiência para então ser ordenado. Hoje, ordenação é sem perder alguma coisa e seminário ficou lá no passado pois posso comprar um diploma de teologia pela internet e se pagar um pouco mais ainda posso levar um doutorado sem nenhum esforço. O que é pior, pastorado hoje é emprego, pois depois de bater cabeça por ai sem achar qualquer profissão, vai ser pastor, porque está dando renda.

  2. Maria Luisa Persson

    29 de junho de 2014 at 14:46

    Respeito religiosidade,igrejas sao instituicaoes e tenho me afstado há anos…lembro-me lá pros 70 que do lado esquerdo sentavam os homens,direito as mulheres,na frente a nata…fora da igreja setavam os esmoleres!Em nome da religiao tem havido muita criminalidade…e hoje no nome ela a intolerância e violência tem aumentaado,como em muito outros setores e a “história” se repete!

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