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Violência Doméstica em Porto Alegre e os meus primeiros contatos com esta realidade

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Em Porto Alegre, ocorrem em média duas prisões por dia, em função da Lei 11340, mais conhecida como Lei Maria da Penha, que cria mecanismos para coibir a violência doméstica e familiar contra a mulher e gera punição imediata aos seus agressores, quando necessário. É um crime que acontece com mais frequência do que imaginamos e não escolhe suas vítimas nem por cor, nem por classe social ou qualquer outra característica: é um problema social e de gênero. Cerca de 70% das vítimas de agressão doméstica são mulheres e meninas!

Lembro, nitidamente, em minha infância, de dois episódios de violência de gênero que assisti e que me marcaram muito: Aos meus 5 anos, vi minha mãe ser pega, violentamente, pelos cabelos pelo meu tio, irmão do meu pai, por uma discussão onde divergiram sobre seus métodos de criação dos filhos. Ela também estava contrariada, mas foi ELE quem partiu para aagressão física. Meu tio era um homem culto e financeiramente estável – a cena aconteceu dentro do Hotel Savoy, aqui em Porto Alegre, onde meus tios e primos ficavam hospedados quando vinham do Rio de Janeiro para o Sul. Eu tinha adoração pelo meu tio. À partir daquele dia, apesar de não ter deixado de amá-lo, passei a ter medo dele.

Aos 10, visitando meu tios maternos na Vila Planalto, em Viamão, fui na casa de uma vizinha que morava ao lado, ver suas filhinhas gêmeas de 2 anos. Ao chegar na porta, que estava entreaberta,me deparei com o marido dela a agarrando com vigor, ela com as costas coladas ao seu peito, enquanto ele a esgoelava. O rosto dela já estava meio roxo e ela babava e tentava tirar o braço dele de volta do seu pescoço. As duas meninas assistiam a cena quietinhas, com expressão deconfusão mental. Quando ele me viu, saí correndo e entrei novamente na casa dos meus tios. Cinco minutos depois ele apareceu na casa de minha tia, fazendo gesto de “Silêncio” para mim, dizendo que estavam apenas brincando. Me doeu o estômago, mas respondi: “Eu sei que vocês não estavam brincando. E as guriazinhas estavam com medo”. Contei pra minha mãe e para minha tia (irmã do agressor). Minha tia disse: “Ah, normal. Esses aí estão sempre assim.”. Eles também tinham um filho mais velho, de 11 anos, que saía da casa toda vez que a agressão começava. E eu não entendi como uma mulher vivia com um homem que fazia aquilo com ela. Minha mãe ficou horrorizada e não houve vez depois disso que minha mãe o visse sem “intimá-lo” sobre as agressões. Este homem era um Evangélico, que todo Domingo vestia a si e a sua família com suas melhores roupas e iam para a Igreja. Anos depois, enfim, ela se separou dele. Deixou de ser dona-de-casa e foi trabalhar. Os filhos ficaram cheios de sequelas.

Estes dois fatos ecoaram em meu pensamento a vida inteira: cada vez que assisti ou ouvi falar de mais um caso de violência de gênero, e até quando fui vítima dela, percebi que só nascendo mulher para entender de fato a gravidade desta questão.

A violência doméstica e a violência contra mulheres e meninas é tão frequente no mundo todo que tem sido considerada como um problema de Saúde Pública.

Nós NÃO SOMOS “ESTUPRÁVEIS”!

Nós NÃO SOMOS “ESPANCÁVEIS”!

Nós NÃO SOMOS ”MOLESTÁVEIS”!

Nós somos MULHERES com direito à integridade moral e física!

Pelo fim da Violência Doméstica e de Gênero, em Porto Alegre e no mundo todo: REAJA! Denuncie! Empodere-se! Quebre o silêncio!



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Publicado por em 16 de fevereiro de 2013. Arquivoado em Feminismo,Reflexão. You can follow any responses to this entry through the RSS 2.0. You can leave a response or trackback to this entry

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