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Ateísmo: não somente mais uma crença, mas uma crença com embasamento

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Sou atéia, como todo mundo já deve saber.

Conscientemente, sou atéia desde os meus 6 anos – embora nesta época ainda não soubesse que isso tinha uma nomenclatura – quando debati, com minha professora de religião da 1ª série, sobre a impossibilidade da parábola da multiplicação dos peixes ser realidade, como ela defendia, e que ao meu ver, era um mito. Sim, eu sabia o que significava a palavra MITO aos 6 anos de idade, graças à minha mãe, Tereza Berlowitz, que lia Sócrates, Ésopo, dentre outros filósofos, em forma de estorinha, para mim e para meu irmão, nos explicando o que eram lendas, mitos, parábolas, etc.

Com exceção de alguns breves períodos de “tentativas de não ser” atéia, em razão do excessivo número de críticas à minha descrença – o que em minha tenra idade me fez pensar que eu não conseguia “crer em Deus” por ser alguma espécie de “filha do capeta” – fui essencialmente descrente minha vida toda. E ao conhecer diversos tipos de religião e igrejas, fui me tornando, cada dia mais, convictamente atéia.

Conforme fui me aprofundando nos estudos sobre os mais diversos sistemas de crenças, suas origens e objetivos, lendo à respeito, assistindo debates e palestras sobre o tema, mais me convenci do óbvio: religiões foram criadas com o intuito de controle social, como forma de opressão e padronização comportamental, nas quais se utiliza o etéreo, o sobrenatural, como incontestável, justamente por serem estas “verdades” improváveis.

Mas é justamente este o meu ponto, ao me considerar cada dia mais descrente em qualquer dogma religioso ou existência sobrenatural: se em mais de 5000 anos de religiões institucionalizadas, NADA se tem de efetivas comprovações de qualquer coisa afirmada pelas religiões teístas, no tocante ao “sobrenatural” e existência de divindades, e já se encontrou comprovação de coisas muito mais antigas, como fósseis de peixes, pássaros, baleias e dinossauros, que demonstram sua evolução – que não foi o que algum Cientista DISSE, mas o que se descobriu e se PODE MOSTRAR, comprovar – está exposto em Museus ao redor de todo o mundo – com confirmação de toda uma comunidade científica, que não se baseia em “achismo” para afirmar suas constatações, mas em pesquisa e amostragem (A não ser que tudo isso fosse um “complô” dos arqueólogos e cientistas em geral. O que me parece bem pouco provável: seria bastante oneroso criar estes fósseis artificialmente, com aparência de ossos e, ainda mais, convencer centenas de pertencentes das mais variadas áreas científicas de que aquilo é real, ou que é isso que deveria ser dito ao grande público… Não faria sentido.). É como disse minha amiga Åsa Dahlström Heuser, ao conversarmos sobre o assunto “discutir ou não sobre religião”: “Sim, aí não estamos, simplesmente, falando de uma fé pessoal, mas de negar evidências científicas óbvias. ISSO é claro que deve ser discutido sempre.”

Então, considero justo afirmar que o que creem os ateus, em geral, é naquilo de que se pode obter alguma comprovação. Pelo menos, pra mim, é assim. Não tenho como acreditar em algo que não passeie pelo sistema lógico do meu cérebro.

Além disso, em minha opinião, o tamanho da fé de uma pessoa é diretamente proporcional ao tamanho da sua necessidade de conforto/alento ou imaturidade intelectual/emocional. E não consigo ver isso como “o que EU acredito”, mas sim como o que se pode perceber, analisando milhares, talvez milhões de pessoas, se levarmos em consideração comunidades inteiras, contrastando, por exemplo, a população dos Países menos desenvolvidas do Mundo – em geral, crentes, das mais variadas religiões – com as mais desenvolvidas e que possuem sistemas educacionais de excelência que possuem, invariavelmente, um grande número de ateus e céticos.

Então, não posso crer, de forma alguma, que o fato de as pessoas mais esclarecidas que conheço serem descrentes, e as mais simples e iliteradas serem as mais crentes, seja mera coincidência. Não tem como isso ser coincidência.

Sendo assim, não consigo evitar de me incomodar profundamente quando alguém que crê no sobrenatural e em divindades afirma, falaciosamente, que “crer que isso não existe” é só mais um tipo de crença como qualquer outra. E não é.

Crer no sobrenatural, visto que, em séculos, NADA se comprovou dele, é com certeza, menos lógico do que duvidar da sua existência. Portanto, sempre será falacioso que alguém diga que ser “Ateu” é ter uma religião, como a que qualquer outro religioso tem.

Mas qual a minha grande “implicância” com as religiões, seus dogmas e seu “contos-de-fadas” sobrenaturais, afinal?

É que todas elas pregam lendas como verdades, e fazem pessoas criarem “censores” em suas vidas por isso, e fazem pessoas odiar, julgar, culpar e segregar umas as outras e a si mesmas por causa disso; quando o que realmente importa, não é se a pessoa se encaixa ou não nos “moldes” que a religião, via de regra, define como “corretos”, mas sim se ela é ou não nociva às demais pessoas. E isto é pérfido demais, invasivo demais, ditatorial demais. E fere a liberdade de TODOS!

Eu, por exemplo, defendo o “lento aproximar” dos ateus em direção aos que possuem crenças sobrenaturais, pois defendo fielmente a ideia de que “mais pessoas com senso crítico, mundo mais justo e melhor.”. O que deve querer dizer, a longo prazo, pessoas mais felizes.

E eu pensava que todo ateu sentia que tinha esse papel: o do adulto ou amiguinho mais velho – ou mais informado – que um dia chega e explica ao leigo que bebês não vêm da Cegonha e que Papai Noel não existe. Pra mim, estes ingênuos exemplos fazem parte do mesmo sistema de crenças que as religiões: estorias ilógicas e sem comprovação, transmitidas quase que hereditariamente dos pais para os filhos. Estórias essas que eu, particularmente, nem vejo porquê ensinar às crianças.

Crianças fantasiam por si só. Não precisamos ensiná-las a fantasiar e menos ainda: não precisamos NEM DEVEMOS ensinar-lhes estórias fantasiosas, dizendo que são verdade, pra mais tarde ter de desmentir. Isto deve, inclusive, atrapalhar o desenvolvimento do senso crítico de um novo ser, em pleno desenvolvimento emocional e intelectual.

Sempre achei muito importante, ao lidar com meus filhos e também alunos, deixar bem claro a diferença entre realidade e ficção, fantasia. Tenho para mim que esta noção clara da diferença de um e outro, inclusive, estimula a inteligência, o raciocínio lógico.

Pode-se fantasiar. É saudável! É lúdico e estimula a criatividade. Mas é importante saber que aquilo é fantasia, uma brincadeira, e que quando a brincadeira acaba, volta-se à vida real.

“Sim, concordo contigo quanto às crianças: devemos ser o mais realista possível. Mas  também acho que não vale a pena uma guerra contra quem acredita, o que é diferente de lutar contra instituições religiosas que querem se impor. Acho que isso de chamar ao debate, só para aqueles que realmente se dispuserem a isso. Acho mais interessante, mesmo, a divulgação; mostrar a cara.”, opinou Åsa neste ponto da conversa.

Argumentei que entendo.

Mas também acredito que chamar as pessoas ao debate é maneira de “abrir mentes” para que dogmas sejam enfraquecidos na cabeça de quem crê, de forma que esta pessoa também se permita ser mais crítica e, por conseguinte, questione o seu próprio sistema de crença, enfraquecendo, assim, estas instituições. Afinal, elas são formadas por pessoas. Se seus líderes não tiverem seguidores, não serão mais líderes.

“A falta de conhecimento deixa a pessoa mais vulnerável a ser manipulada por outras pessoas. Ela não tem informação suficiente para analisar o que ouve de forma crítica e cética.”, alertou Åsa. ” No Bule Voador (site), tem uma série de postagens do Gregory Gaboardi, explicando porque o ateísmo é um tipo de crença, mas deixando muito clara a diferença entre fé e crença, e entre crença sem fundamento e crença com base em evidências.”, ela ainda salientou.

 Concluo, então, que em nada é absurdo o fato de eu afirmar que a não-crença em divindades e no sobrenatural está um passo mais à frente do que os sistemas religiosos que neles acreditam, afinal o ateísmo não é “só mais uma crença”, assim como são as religiosas, por mais que carregue características de crença: o ateísmo é uma crença naquilo que tem embasamento, naquilo que foi constatado por pesquisas. E do resto, duvida-se: é-se cético.



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Publicado por em 24 de fevereiro de 2013. Arquivoado em Destaque,Lucidez,Reflexão. You can follow any responses to this entry through the RSS 2.0. You can leave a response or trackback to this entry

5 Respostas para Ateísmo: não somente mais uma crença, mas uma crença com embasamento

  1. ALAN CRISTIAN SOUZA

    11 de maio de 2013 at 15:19

    perfeito Paula, o seu post sintetiza tudo o que penso, vejo suas palavras bem alinhadas com a do Richard Dawkins em seu livro deus um delírio, que pelo que me parece vc deve ter lido. parabéns pela opinião lucida e coerente, acredito que se o mundo tivesse mais ateus de verdade seria um lugar mais justo e agradável de viver, por enquanto, vivo respeitando as opiniões das pessoas e escondendo as minhas para que não seja cassado como uma bruxa na idade média.

  2. Jeferson Raapack

    10 de novembro de 2013 at 12:49

    Você não faz a menor ideia do que está falando.
    Tudo bem, eu não me importo que você não acredite em Deus e sinceramente gostaria que você continuasse assim. Neste ponto fique tranquila, não vou tentar te “converter” de nada.
    Agora dizer que ateísmo é a crença do embasamento eu não sei quanta defasagem mental você alcançou neste momento para dizer isto.
    Pelo visto você jamais parou para ler qualquer material sobre física quântica, ou sobre astronomia, ou sequer sobre biologia. Em torno de 70% dos cientistas respeitosos não mais acreditam na evolução proposta por Darwin. Ela é idiota demais. E não é idiota porque eu quero, é pura e simplesmente idiota porque Darwin não fazia a menor ideia sobre genética. Citando apenas umas das coisas inexplicáveis dá uma pesquisada aí sobre “Complexidade irredutível”.
    Agora se o seu caso é a idade do mundo e ou universo dá uma lida sobre como se chegaram ao calculo sobre “meia vida” dos meios de datação existentes; como a idade dos elementos passaram a ser “exponencial” (meio do meio do meio… ridículo demais).
    Caso ainda não seja isso, dê uma lida sobre fusão nuclear solar e como as partículas se convertem em Hélio 3 e 4, lítio boro e berílio (quando eu estudei sobre isso acho que passei um mês rindo; sim estes elementos são fatos, o resto da tabela periódica que é o problema). Para finalizar pesquisa sobre a quantia de carbono fornecido por uma estrela mesma aquela que possua um ciclo carbônico; depois compare com a quantia de carbono (estimativa) que existe no nosso sistema solar (outra piada). Veja a estimativa de uma estrela velha se tornar novamente numa supernova (quase nulo, o resto vira anã branca e uma minoria buracos negros). Nem vou falar sobre os outros metais porque “tadinhos” deles, estão meio “sumidinhos”.
    Para finalizar te digo que 70 a 90% sobre o que se acredita dos atributos divinos são facilmente explicáveis pelas teorias científicas modernas, ou seja, Deus é viável pela própria ciência. O problema da ciência é que ela não quer Deus porque ela quer ser Deus. Não fui eu que falei mas, foi um ateu (Atkins) que disse “a ciência é deus”. Então adore ao seu deus.

  3. Deividi

    23 de junho de 2014 at 22:37

    Para mim, você apenas repete o que os ditos “crentes” fazem, tenta converter as pessoas que não pensam da mesma forma que você. Ser ateu tudo bem, o problema é ser um ateu chato que quer que todos engulam as suas “verdades”, assim como os religiosos fanáticos também fazem. Se quero que respeitem o meu direito de escolher no que quero ou não crer, também preciso respeitar esse mesmo direito que os outros têm. Para mim, observanto os seus textos por aqui, pude perceber que você vai de um extremo a outro, parece desconhecer o caminho do meio.

  4. Henrique

    6 de dezembro de 2014 at 16:11

    Genial essa imagem.

  5. Josiane

    20 de agosto de 2015 at 12:43

    Faz todo o sentido. Confesso que tenho dificuldades em entender o ateísmo, porque sigo outra linha de raciocínio. Mas uma coisa é certa: existe uma ética fortíssima que permeia o pensamento ateu. Uma vez ouvi de um professor que ele preferia emprestar dinheiro para um cristão do que para um ateu, pois o cristão está preocupado com a vida eterna. Discordo, pois acho que honestidade não pode depender de castigo…

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