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Feminismo não é femismo – entenda a diferença e assuma-se como feminista

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Imagem do blog “Maria da Penha Neles”

Tu, aí, mulher, que diz “Eu não sou feminista, mas…”. Pára! Pode parar por aí!

Feminismo NÃO É o contrário de machismo! Pensavas que sim?! Te enganaste! O oposto do machismo é o FEMISMO! Queres entender melhor?! Então pega um café, senta aí, e lê até o fim! Prometo que não vai doer! 😉

Vou começar devagarinho e depois pego o embalo! Quem me acompanhar na viagem até o fim, sai ganhando!

Resuminho:

  • Machismo: homem achar que é superior a mulher.

(O equivalente feminino? )

  • Femismo: mulher achar que é superior ao homem.

(É diferente de..)

  • Feminismo: movimento social constante, pela igualdade de direitos entre homens e mulheres. Também existem muitos homens feministas!

(Que equivaleria ao…)

  • Masculinismo: movimento social vindouro, que já dá seus prenúncios, no qual homens reivindicarão a igualdade em direitos que eles “ainda não tem” (este é divagação minha – me aprofundo a seguir…).

Então lá vamos nós…

Machismo é o preconceito de gênero, no qual o homem se considera superior à mulher. Na raiz da palavra, o termo vem de macho, tipo bicho, assim, saca?!

Sendo assim, o oposto do machismo seria o Femismo (não, não é um erro de digitação!), palavra vinda de fêmea, também do nosso lado “animal”.

O homem machista acredita que a mulher não deve trabalhar fora, que “lugar de mulher é na cozinha” e que ela deve “esquentar a barriga no tanque e esfriar no fogão”, quando tem filhos, ele diz que “solta seus bodes, mas prende suas cabritas” ou que “prendam suas cabritas, pois meus bodes estão soltos”, que seu filho é um “garanhão”, se este troca com frequencia de parceira, mas sua filha é uma “piranha” se fizer o mesmo.

A mulher do machista, também deve acatar as decisões e os padrões comportamentais que seu marido lhe impõe. Se assim não o fizer – ou ele achar que ela não está fazendo, ele lhe agride e diz: “Eu não sei por que estou batendo, mas ela sabe por que está apanhando”.

Claro que nem todo homem é machista! Temos homens feministas, mas esses ainda são minoria (acho que conheço uns 3 ou 4)! A maioria é machista brando – muitos trazem em suas cabeças apenas os resquícios do machismo como padrão, sentindo-se na obrigação de ser o “provedor” em seu lar, ou sentindo desconforto com o decote da parceira, ou achando que ela é a encarregada do serviço doméstico no qual, talvez, ele lhe “ajude” (como se a sujeira da casa fosse produzida só por ela! O.o), ou simplesmente, olhando para tudo que é peito e bunda que passe, pois isso lhe parece uma demonstração de ser “mais homem” ( não! Isso é ser mais “macho” – e isso NÃO é um elogio!), ou andando em total “relaxo” em casa, mas achando que a parceira não deve fazer o mesmo, que o cuidado dos filhos é dos dois, “mas é ela quem troca as fraldas”, e por aí vai…

Há, então, o extremo oposto do machismo: o chamado FEMISMO, no qual mulheres afirmam que “homem não serve pra nada”, “faço tudo o que eles fazem, só que melhor!” (será??! O.o), “homem é que nem chiclete- quanto mais pisa, mais gruda no pé”, e tantas outras – aqui, cito piadas, ditos populares que expressam conceitos, mas que, se levados à sério e transpostos em atitudes, nos levarão à mulheres que utilizam pejorativos para se referir ao companheiro, tentam humilha-lo em público ou, simplesmente, nem chegam perto de um homem – tem asco e pronto. Obviamente que o FEMISMO é um fenômeno mais recente que o machismo: ele começou a ser percebido ao longo do movimento feminista, quando se sobressaiu o comportamento dessas mulheres, mais revoltadas com a questão de gênero (talvez porque as primeiras mulheres a “ousarem pisar em território masculino”, tenham precisado se masculinizar, para receber o digno respeito), transformando a busca pela igualdade em uma gangorra, em uma guerra entre os sexos – incorrendo no mesmo erro do machismo.

O FEMINISMO, por outro ladoé uma luta social constante, na qual nós, mulheres, reivindicamos nossa igualdade de direitos (o que também NÃO É A MESMA COISA que direitos iguais, afinal não haveria melhora significativa em nossas vidas o fato de poder fazer xixi em pé, nem eles poderiam reivindicar intervalos no trabalho para amamentar o filho… Fatores biológicos são fatores biológicos. Eles não terão menopausa e nós não ficaremos broxas.. hehehe Cada um com seus problemas). A igualdade de direitos da qual falamos (e tua mãe e tua avó e talvez tua bisavó já falavam, também) é poder estudar, escolher a própria profissão, ir trabalhar e receber o mesmo salário que um homem, com a mesma qualificação e número de horas trabalhadas, recebe. É poder votar. É escolher se e com quem se relacionar. É escolher se e quando será mãe. É tomar anticoncepcional. É poder carregar camisinha na bolsa sem isso ser “pecado” ou motivo de vergonha. É poder namorar com um cara ou mulher, se assim preferir e, se não for bom, partir pra outra sem receber um rótulo de “VADIA” (que é a palavra do momento! ;D). É dirigir – seu carro e sua vida. É andar na rua sem precisar de “escolta masculina”sem ouvir “galanteios” chulos, sem levar “passada de mão”. É pagar as próprias contas, ou dividí-las, se esta for a decisão conjunta. É não ser vítima de agressão doméstica nem de violência sexual. Enfim: diversas coisas que, umas mais, outra menos, tu achas MUUUUITO NATURAL, certo?!

ERRADO! Tudo isso são adventos FEMINISTAS! Há mais de um século mulheres estão em constante e incansável batalha para que a sociedade “absorva” esses “novos moldes”! Muitas se masculinizaram, queimaram sutiãs, sofreram, apanharam, foram torturadas e, inclusive, MORRERAM para que hoje tu possas pegar teu carro e ir ao Shopping, com teu salário, comprar tua minissaia da Donna Karan e tua bolsa Channel – inclusive elas passaram por poucas e boas para atingirem seu sucesso! Então, toda mulher que usufrui e concorda com estes direitos É FEMINISTA! Embora, talvez, ainda não admita…

E o Masculinismo?! Bem… Este ainda engatinha, mas já ensaia seus primeiros passos, afinal o homem que se preocupa com a aparência, se depila, se veste bem, chora, ganha menos que a mulher, opta por uma profissão “de mulher” (diga-se psicologia, enfermagem, cabeleireiro, etc), também sofre preconceitos! Mas estas são situações já bastante frequentes e eles tem o direito de sentirem-se bem com suas escolhas, sem receberem rótulos, não é?! Não serão os “metro-sexuais” os Masculinistas? (ressalto que esta parte foi apenas uma brincadeira minha. A definição real do masculismo – que quando eu escrevi este post, eu nem sabia que existia – é um tanto diferente da minha divagação e pode ser lida clicando na palavra aí! É um “machismo” com outro nome…)!

Então, trocando em miúdos…

Era uma vez um mundo machista. Nele as mulheres não trabalhavam, não usavam calças compridas nem saias curtas. Não escolhiam com quem casar. Deveriam se preocupar em ser dóceis, servis, limpinhas e perfumadas (nada contra nenhum dos 4, se o cônjuge tiver a decência do mesmo zelo). Não deveriam ter ambições pessoais, mas sim viver à sombra de seus pais, enquanto solteira, e de seus maridos, depois de casada – o que por sinal, era uma obrigação, e quem assim não o fizesse estava fadada a rótulos de “solteirona” e “mal-amada” e comentários maldosos, afinal “alguma coisa de errada” elas deveriam ter… Não emitiam opiniões, a não ser sobre a comida, roupas e a lida caseira – ou, pelo menos era assim na presença de seus homens, principalmente depois do surgimento do Cristianismo (vocês bem devem saber – e se não sabem , por favor, tratem de ler a respeito! – que diversas civilizações antigas eram Matriarcais, até que os Cristãos chegaram, dizendo que isso de mulher ficar se expressando em público e ditando normas era algo muuuito perigoso…). Ah, e deveriam fazer sexo pelo buraco do lençol e usar roupas “decentes” e “discretas”, pois trepada, mesmo, cheia de lascívia, suor, cinta-liga e meia arrastão era “coisa de prostituta” (pra sorte delas, e não das esposas, néam?!). Enfim, o mundo era UM SACO! Não só para as mulheres, mas com certeza, também para os homens!

Então, que viva as diferenças entre os homens e as mulheres! Que aprendamos a somá-las e não subtraí-las! Que aprendamos a respeitar nossas diferenças e tirar delas o melhor, até o dia em que sejamos apenas pessoas, livres, com suas decisões e expressões individuais! E então, já não precisaremos de termos que nos definam

Mas, por enquanto, ainda precisamos. Pois ainda recebemos menores salários, ainda ouvimos frases como “isso não é coisa de mulher”, ainda levamos cantadas e propostas indecentes de chefes e somos agredidas física e moralmente, dentro ou fora de casa! Ainda somos taxadas de putas, vadias, sapatão, “tomara que me comam”, “pediu pra ser estuprada”, vagabunda. Ainda somos classificadas em “pra comer” ou “pra casar”! Em outros países, ainda somos apedrejadas,  estupradas legalmente ou “corretivamente”. Ainda NÃO HÁ igualdade de direitos…

E enquanto assim for, é muito importante, em nome da nossa integridade física, moral e emocional, em nome do protagonismo social da mulher, que haja UM NOME para essa nossa busca incansável por nossos direitos! E o nome disso é FEMINISMO! E o bom é que hoje em dia já não precisamos nos masculinizar para exercê-lo! Somos feministas de batom, unhas pintadas, trabalhando, cuidando da casa, talvez gostando de cozinhar, umas que amam homens, outras que amam mulheres, mas todas que SE AMAM antes de mais nada!

Feminismo NÃO é o oposto de machismo! Eu também já pensei assim! Mas me explicaram a diferença e hoje eu digo com orgulho: EU SOU FEMINISTA!

E tu? Também és, né?! Então assume e diz pra todo mundo!

(Agradeço às Blogueiras Feministas, que me apresentaram o termo FEMISMO, há cerca de 2 anos, quando entrei no twitter, e desmistificaram o FEMINISMO pra mim!)



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Publicado por em 11 de junho de 2012. Arquivoado em Destaque,Feminismo,Reflexão. You can follow any responses to this entry through the RSS 2.0. You can leave a response or trackback to this entry

114 Respostas para Feminismo não é femismo – entenda a diferença e assuma-se como feminista

  1. Lívia

    28 de outubro de 2016 at 22:59

    Primeiro que femismo nem existe no nosso dicionário etimológico.

  2. isis

    6 de novembro de 2016 at 14:03

    ADOREI! Texto muito bom, eu já sabia dessas coisas para falar a verdade, mas sempre eh bom se aprofundar no assunto. Antes eu achava que Feminismo era Femismo, mas hoje mesmo antes de ler o artigo eu sei a diferença. Sem dúvida sou FEMINISTA e acho que todos deveriam ser também, mas cada um tem sua opinião.

  3. João Vilhena

    26 de novembro de 2016 at 9:07

    Bom dia,

    Gostei de ler o texto e achei interessante a abordagem.

    Bem sei que as Línguas são dinâmicas e ao longo dos tempos novos vocábulos surgem. O termo “femista” de facto não existe na Lingua Portuguesa, quiçá poderá a vir ser considerado. Neste momento trata-se de uma palavra inventada.

    O Futuro o dirá!

    Melhores Cumprimentos,

    João Vilhena

  4. Mariana Andrade

    24 de dezembro de 2016 at 17:56

    Amei o texto e a forma didática com que as diferenças foram explicadas. Obrigada pelo compartilhamento de conhecimento!

  5. Jornalista Washington Araujo

    27 de fevereiro de 2017 at 18:27

    Acabei de assistir na TV Novo Tempo, a um a entrevista com a professora e mestre em Comunicação Social, BETINA BORDIN PINTO que trata justamente desse tema.

  6. Luana Bohrer Krob

    7 de março de 2017 at 17:16

    Eu e minha amiga estamos fazendo um texto sobre o feminismo, mas isso é muito difícil apesar de não parecer, nós temos tantos problemas escondidos atrás desse preconceito. Pra começar nós nem sabíamos que masculinismo existia. Vivemos em uma sociedade tão hipócrita e fechada as suas próprias ideias que esquecemos que os outros também tem problemas. Não vivemos sozinhos no mundo, ele é grande de mais, com pessoas de mais para se contar nos dedos.

    Já tínhamos começado o texto, não muito, mas demoramos tanto tempo para juntar as ideias diferentes e controversas que pareciam anos, e acredite, depois de ler esse texto apagamos tudo. Eu queria que um botão como esse existisse na vida real. Que pudêssemos apagar tudo e começar de novo. SIM. Nos temos pensamentos diferentes, nós, humanos, vivendo em um mundo de ideias opostas e prontos para começar uma luta por um novo mundo. Então eu agradeço muito a você autora. Por abrir a nossa mente e nos mostrar esse novo universo. Obrigada.

  7. Mauro Campos

    11 de março de 2017 at 17:46

    Com certeza a palavra própria para a igualdade entre os sexos não seria “feminismo”, mas “humanismo. Esta palavra realmente seria igualitária.

  8. Paula Berlowitz

    13 de março de 2017 at 1:27

    Valeu, Luana! <3

  9. Paula Berlowitz

    13 de março de 2017 at 1:37

    Agrega pelo fato de a escolha dever ser NOSSA sobre expormos ou não o nosso corpo. Não deveria haver uma legislação que nos proibisse, entendes?

  10. Paula Berlowitz

    13 de março de 2017 at 1:40

    Que legal, Tauany!

    Agradeço o comentário e boa sorte com o vídeo! 😉

    Um beijo! <3

  11. Paula Berlowitz

    13 de março de 2017 at 2:00

    Os movimentos dialogam com a sociedade…

  12. Paula Berlowitz

    13 de março de 2017 at 2:04

    “Mas”, Jofran, “MAS”…

  13. Paula Berlowitz

    13 de março de 2017 at 2:16

    “Menção” é om “ç” e “endossar” é com “ss”. Taí a resposta que tu mereces, moço. Sobre o resto, Google>search pode ser de grande ajuda pra ti. 😉

  14. Vanessa

    30 de março de 2017 at 1:50

    Olá.

    Achei sua abordagem do tema excelente, muito pertinente e perspicaz.
    Traduz bem um contra movimento ao que vinha se apresentando, de negação do feminismo.

    Todas nós vínhamos fugindo do conceito por querer um caminho equilibrado, igualitário, não de superioridade. Pois a superioridade exacerbada levou gente poderosa a extremos.

    Sei que este é um conceito novo, emergente, mas ainda sim, urgente e pertinente numa sociedade onde muitos vem buscando aceitação de si mesmo, do outro e de um mundo novo, repleto de diversidade.

    Parabéns pelo texto.

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