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Quando a piada perde a graça – esquete de Debora Finocchiaro e Elaine Regina no Seminário Internacional Mulheres e a Segurança Pública

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18h30min de hoje: Cheguei ao Ministério Público RS para fazer meu credenciamento no Seminário Internacional Mulheres e a Segurança Pública.

Muitas mulheres por todos os lados, obviamente. Políticas, policiais, meninas do BOPE arrumando o cabelo logo no alto da escada, soldadas, sargentas, delegadas, secretárias de justiça e de políticas para as mulheres, blogueiras (OPA! Nessa categoria, pelo jeito, só EU mesma! O resto tá em casa, testando batom!). E homens, é claro. Eles continuam sendo bem vindos, neste universo cada vez mais feminino.

Pego minha credencial, no balcão, filmo e fotografo um pouco (e não estou achando meu cabinho pra postar!!!) e entro para procurar um lugar para sentar, pois a casa está cheia! Sento e aguardo. Estou só. Faz-se a devida introdução da noite e…

Apresentadora do Evento pede atenção. As luzes se apagam. Entra, sob a luz de um holofote, por trás da platéia, uma atriz, trajada “à la” Dona de Casa que trabalha fora, toda alegre e radiante e dá início à uma esquete:

“-Tô linda. Fui no cabeleireiro, fiz as unhas. Hoje vai ter lá em casa! E vou assistir o último capítulo da minha novela! … Quer dizer, o último não – a reprise – porque o último foi ontem e ontem eu tive um probleminha lá em casa. Mas deixa isso pra lá, já passou!”

E entra em casa, “lépida e faceira”, acreditando que aguardaria o marido para terem momentos românticos, antes do horário da novela. Mas a cena que ela encontra, sob o outro holofote,  é um homem que chegou em casa antes dela, mal arrumado, cerveja na mão, resmungando que não tinha conseguido o “bico” que andava procurando (pra quem não é daqui, “bico”, neste caso, quer dizer um “trabalho ocasional”), e pedindo a ela que lhe alcance uma cerveja, e outra, e mais outra. (Platéia ri).

Ela rebola e rodopia, sutilmente, à sua frente, tentando em vão ser provocante, para que ele note que ela se fez bonita para ele. E ele critica suas unhas, seu cabelo, seu corpo, até ela murchar de vez. (Platéia ri muito).

Isso a faz desistir dele e resolver assistir à novela. Travam discussão sobre o canal a ser assistido – ele quer o futebol – ela reclama que já tiveram a mesma discussão no dia anterior e que “ontem” ele prometeu que ela veria a reprise do último capítulo da novela, hoje. Ele responde que “ontem foi ontem” e a discussão continua. Enfim, diz que está cansada, pois trabalhou o dia todo e cita o fato de ele estar sem emprego, que estão com pouco dinheiro, etc. Ele diz: “Ah, mas pra gastar no Salão tu tens, né?”. A discussão se inflama.

Ele altera o tom de voz e a ordena que tire os óculos. Ao que ela sai correndo, gritando “Não, por favor, querido, de novo não.”

E a piada perde a graça. As risadas vão, pouco a pouco, esvanecendo e os sorrisos se desfazem. Acaba a esquete.

Mas na casa de muitas mulheres ao redor do mundo, a PIADA continua.

Obrigada, Débora Finocchiaro e Elaine Regina, pela crítica seca a uma cena tão banal e, infelizmente, tão cotidiana na vida de tantas famílias.



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Publicado por em 7 de março de 2012. Arquivoado em Família,Feminismo,Iniciativas Femininas. You can follow any responses to this entry through the RSS 2.0. You can leave a response or trackback to this entry

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