Publicado por em Comportamento, Devaneios

1.133 acessos

Homoafetividade, adoção e o desserviço de políticos reacionários e insensíveis

1 Star2 Stars3 Stars4 Stars5 Stars (6 votos, media: 5,00 de 5)
Loading ... Loading ...



Dia 29 de agosto é conhecido, no Brasil, como o Dia da Visibilidade Lésbica, comemorado, costumeiramente, com atos, passeatas e manifestações de mulheres homoafetivas e seus simpatizantes, visando levar a sociedade a um maior entendimento a respeito da diversidade e, consequentemente a sua maior aceitação por todos.

Este ano, a comemoração foi brindada com a seguinte notícia, veiculada em 30 de agosto pela Folha.com: Casal de Lésbicas tem dupla maternidade reconhecida pela Justiça*.  Quando vi a notícia, fiquei muito feliz! Afinal, se há algo em que acredito, nesta vida, é no amor! Sério! Posso até parecer meio “casca-grossa”, mas no fundo, sou uma grande romântica, apaixonada pela vida, embora entristecida com muitos seres humanos.

*Neste caso, especificamente, uma das duas mulheres É a mãe biológica da criança.

Não acredito que o amor seja uma questão de gênero: acredito que seja uma questão de afinidade, admiração, respeito e carinho mútuo. E isto está muito acima de se ser homem ou mulher. Até porque, não nos amamos apenas enquanto casais – amamos filhos, amigos, pais, avós, animais de estimação, etc. Já o relacionamento sexual entre duas pessoas adultas é algo tão particular, tão somente do casal, que acredito não dizer respeito à mais ninguém julgá-lo correto ou não, senão aos próprios envolvidos.

Descontente com a decisão judiciária, o “cidadão do céu”, como se auto-intitula Walter Brito Neto (e aí já dá pra imaginar a quantas anda a sanidade deste cidadão!) o ex-parlamentar e pré-candidato a prefeito de Campina Grande pelo PRB, voltou a bater na mesma tecla do seu Projeto de Lei 3323/2008, que veta a lei de adoção de crianças por parte de casais homossexuais. Através de seu Twitter, nesta quarta-feira, dia 31, argumentou que “A justiça vem descumprindo a Lei de adoção vigente em nosso País a pouco mais de dois anos, assim também como a nossa Constituição Federal!”, baseando-se no Artigo 226, parágrafo 3º da Constituição Federal que diz: “A família, base da sociedade, tem especial proteção do Estado. § 3º – Para efeito da proteção do Estado, é reconhecida a união estável entre o homem e a mulher como entidade familiar, devendo a lei facilitar sua conversão em casamento”.

Então pergunto: Alguém aí poderia dizer ao Senhor Walter que melhor seria mudar o § 3º do artigo para “Para efeito da proteção do Estado, é reconhecida a união estável entre duas pessoas adultas, envolvidas emocionalmente, como entidade familiar, devendo a lei facilitar sua conversão em casamento”?

Pergunte à qualquer criança que vive em um abrigo para menores, Sr. Walter, se ela preferiria ficar lá até os seus 18 anos para depois ser cuspida rumo a um futuro de incertezas ao invés de ser adotada, fosse por quem fosse!!! Com CERTEZA o que estas crianças mais querem é alguém disposto a lhes dar carinho! Coisa que o estado e seus cuidadores de lares NÃO ESTÃO APTOS A FAZER! E com CERTEZA, essas crianças também estão pouco preocupadas com a opção sexual de quem lhes prestará tal cuidado!
O que deve ser levado em consideração na hora da adoção é a afinidade dos interessados com a criança que será adotada, a estabilidade emocional desses futuros mães e/ou pais, e o desejo delas em dar carinho, atenção e educação à esta criança.

Então, o que digo ao Sr. Walter Brito Neto é que ele está mais preocupado com sua moral cristã do que com as crianças à serem adotadas ou com as famílias ou com os cidadãos interessados na adoção!

E me entristece MUITO que políticos com pensamentos retrógrados como esse continuem sendo eleitos!

Fenômenos de um Brasil onde muita gente passa fome e, portanto cesta básica vale voto nas urnas!

Lamentável!

Related Posts with Thumbnails

Leave a Reply