Publicado por Paula Berlowitz em Comportamento, Devaneios
1.133 acessosHomoafetividade, adoção e o desserviço de políticos reacionários e insensíveis
Dia 29 de agosto é conhecido, no Brasil, como o Dia da Visibilidade Lésbica, comemorado, costumeiramente, com atos, passeatas e manifestações de mulheres homoafetivas e seus simpatizantes, visando levar a sociedade a um maior entendimento a respeito da diversidade e, consequentemente a sua maior aceitação por todos.
Este ano, a comemoração foi brindada com a seguinte notícia, veiculada em 30 de agosto pela Folha.com: Casal de Lésbicas tem dupla maternidade reconhecida pela Justiça*. Quando vi a notícia, fiquei muito feliz! Afinal, se há algo em que acredito, nesta vida, é no amor! Sério! Posso até parecer meio “casca-grossa”, mas no fundo, sou uma grande romântica, apaixonada pela vida, embora entristecida com muitos seres humanos.
*Neste caso, especificamente, uma das duas mulheres É a mãe biológica da criança.
Não acredito que o amor seja uma questão de gênero: acredito que seja uma questão de afinidade, admiração, respeito e carinho mútuo. E isto está muito acima de se ser homem ou mulher. Até porque, não nos amamos apenas enquanto casais – amamos filhos, amigos, pais, avós, animais de estimação, etc. Já o relacionamento sexual entre duas pessoas adultas é algo tão particular, tão somente do casal, que acredito não dizer respeito à mais ninguém julgá-lo correto ou não, senão aos próprios envolvidos.
Descontente com a decisão judiciária, o “cidadão do céu”, como se auto-intitula Walter Brito Neto (e aí já dá pra imaginar a quantas anda a sanidade deste cidadão!) o ex-parlamentar e pré-candidato a prefeito de Campina Grande pelo PRB, voltou a bater na mesma tecla do seu Projeto de Lei 3323/2008, que veta a lei de adoção de crianças por parte de casais homossexuais. Através de seu Twitter, nesta quarta-feira, dia 31, argumentou que “A justiça vem descumprindo a Lei de adoção vigente em nosso País a pouco mais de dois anos, assim também como a nossa Constituição Federal!”, baseando-se no Artigo 226, parágrafo 3º da Constituição Federal que diz: “A família, base da sociedade, tem especial proteção do Estado. § 3º – Para efeito da proteção do Estado, é reconhecida a união estável entre o homem e a mulher como entidade familiar, devendo a lei facilitar sua conversão em casamento”.
Então pergunto: Alguém aí poderia dizer ao Senhor Walter que melhor seria mudar o § 3º do artigo para “Para efeito da proteção do Estado, é reconhecida a união estável entre duas pessoas adultas, envolvidas emocionalmente, como entidade familiar, devendo a lei facilitar sua conversão em casamento”?
Pergunte à qualquer criança que vive em um abrigo para menores, Sr. Walter, se ela preferiria ficar lá até os seus 18 anos para depois ser cuspida rumo a um futuro de incertezas ao invés de ser adotada, fosse por quem fosse!!! Com CERTEZA o que estas crianças mais querem é alguém disposto a lhes dar carinho! Coisa que o estado e seus cuidadores de lares NÃO ESTÃO APTOS A FAZER! E com CERTEZA, essas crianças também estão pouco preocupadas com a opção sexual de quem lhes prestará tal cuidado!
O que deve ser levado em consideração na hora da adoção é a afinidade dos interessados com a criança que será adotada, a estabilidade emocional desses futuros mães e/ou pais, e o desejo delas em dar carinho, atenção e educação à esta criança.
Então, o que digo ao Sr. Walter Brito Neto é que ele está mais preocupado com sua moral cristã do que com as crianças à serem adotadas ou com as famílias ou com os cidadãos interessados na adoção!
E me entristece MUITO que políticos com pensamentos retrógrados como esse continuem sendo eleitos!
Fenômenos de um Brasil onde muita gente passa fome e, portanto cesta básica vale voto nas urnas!
Lamentável!










