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Ayaan Hirsi Ali lança seu novo livro “Nomad”

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Nascida em 1969 na Somália no seio de uma família Muçulmana, vítima de infibulação clitoriana (mutilação genital em que, após extração do clitóris e pequenos lábios, os grandes lábios são suturados, deixando-se apenas uma pequena abertura para eliminação de urina e menstruação) aos cinco anos, criada sob preceitos religiosos que regem uma sociedade na qual a mulher é doutrinada a ser submissa ao homem, Ayaan Hirsi Ali - se dependesse da ‘vontade divina’ – seria um talento desperdiçado: aos 23 anos teria ido para o Canadá para submeter-se a um casamento arranjado pela família e lá estaria, servil e se anulando.

Ao invés disso, no meio de sua viagem rumo aos braços (ou punhos) do ilustre desconhecido, resolveu rebelar-se e fugiu para a Holanda, aonde pediu asilo político e, anos mais tarde, venceu a eleição e tornou-se membro do Parlamento.

Mas Ayaan não fugiu apenas de um casamento indesejado, e sim de uma cultura na qual, em suas próprias palavras, a ‘honra’ masculina encontra-se no meio das pernas da mulher. Decidiu não ser vítima de espancamentos e represálias às quais as mulheres muçulmanas  são cotidianamente submetidas “em nome de Allah.

Em 2004, ao lado do diretor Theo Van Gogh, fez o filme “Submission” (Submissão)- uma crítica a opressão sofrida pelas mulheres dentro das culturas mais conservadoras do Islamismo. O resultado foi o assassinato de Van Gogh e uma carta cravada em seu corpo, dizendo que Hirsi Ali seria a próxima – fato que a fez fugir para a América e permanecer escondida, temendo atentados.

Ainda assim, Ayaan não se intimidou e em 2008 publicou “Infidel” (Infiel), obra na qual afirma que em certas culturas muçulmanas, a mulher é apenas reprodutora de filhos e vítima de tortura.

No último dia 18/maio, lançou seu novo livro “Nomad, no qual descreve sua trajetória desde a infância, quando ela e os irmãos eram severamente espancados pelos pais e viviam em frequente mudança de residência, visto que seu pai era um ferrenho opositor ao regime socialista de Siyad Barre, até sua chegada à America e seu renascimento como cientista política e ativista pela causa da mulher muçulmana e contra o fundamentalismo religioso.

Em entrevista concedida a FORA.tv, fala sobre sua vida, obra, relação com a família, misoginia feminina, a criação do homem dentro do Islamismo, o surgimento do radicalismo islâmico na América, circuncisão feminina no Ocidente, dentre outros.

Vale a pena conferir!

http://fora.tv/2010/05/25/From_Islam_to_America_Ayaan_Hirsi_Ali

Eu, aqui me pergunto, até quando seres humanos se sentirão no direito de subjugar outros em nome de crenças primitivas dentro das quais vive-se, eternamente, à espera de um lugarzinho no céu ou temendo um fictício ser supremo que só os escraviza e impede que sejam livres, felizes e usufruam de fato da única vida da qual temos certeza da existência, que é esta aqui, agora!

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