Publicado por Paula Berlowitz em Destaque, Mundo, Notícias
1.484 acessosAyaan Hirsi Ali lança seu novo livro “Nomad”
Nascida em 1969 na Somália no seio de uma família Muçulmana, vítima de infibulação clitoriana (mutilação genital em que, após extração do clitóris e pequenos lábios, os grandes lábios são suturados, deixando-se apenas uma pequena abertura para eliminação de urina e menstruação) aos cinco anos, criada sob preceitos religiosos que regem uma sociedade na qual a mulher é doutrinada a ser submissa ao homem, Ayaan Hirsi Ali - se dependesse da ‘vontade divina’ – seria um talento desperdiçado: aos 23 anos teria ido para o Canadá para submeter-se a um casamento arranjado pela família e lá estaria, servil e se anulando.
Ao invés disso, no meio de sua viagem rumo aos braços (ou punhos) do ilustre desconhecido, resolveu rebelar-se e fugiu para a Holanda, aonde pediu asilo político e, anos mais tarde, venceu a eleição e tornou-se membro do Parlamento.
Mas Ayaan não fugiu apenas de um casamento indesejado, e sim de uma cultura na qual, em suas próprias palavras, a ‘honra’ masculina encontra-se no meio das pernas da mulher. Decidiu não ser vítima de espancamentos e represálias às quais as mulheres muçulmanas são cotidianamente submetidas “em nome de Allah“.
Em 2004, ao lado do diretor Theo Van Gogh, fez o filme “Submission” (Submissão)- uma crítica a opressão sofrida pelas mulheres dentro das culturas mais conservadoras do Islamismo. O resultado foi o assassinato de Van Gogh e uma carta cravada em seu corpo, dizendo que Hirsi Ali seria a próxima – fato que a fez fugir para a América e permanecer escondida, temendo atentados.
Ainda assim, Ayaan não se intimidou e em 2008 publicou “Infidel” (Infiel), obra na qual afirma que em certas culturas muçulmanas, a mulher é apenas reprodutora de filhos e vítima de tortura.
No último dia 18/maio, lançou seu novo livro “Nomad“, no qual descreve sua trajetória desde a infância, quando ela e os irmãos eram severamente espancados pelos pais e viviam em frequente mudança de residência, visto que seu pai era um ferrenho opositor ao regime socialista de Siyad Barre, até sua chegada à America e seu renascimento como cientista política e ativista pela causa da mulher muçulmana e contra o fundamentalismo religioso.
Em entrevista concedida a FORA.tv, fala sobre sua vida, obra, relação com a família, misoginia feminina, a criação do homem dentro do Islamismo, o surgimento do radicalismo islâmico na América, circuncisão feminina no Ocidente, dentre outros.
Vale a pena conferir!
http://fora.tv/2010/05/25/From_Islam_to_America_Ayaan_Hirsi_Ali
Eu, aqui me pergunto, até quando seres humanos se sentirão no direito de subjugar outros em nome de crenças primitivas dentro das quais vive-se, eternamente, à espera de um lugarzinho no céu ou temendo um fictício ser supremo que só os escraviza e impede que sejam livres, felizes e usufruam de fato da única vida da qual temos certeza da existência, que é esta aqui, agora!







